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Entre cálculos apertados e filas nos estandes, Expomei revela quem mantém a economia do interior em movimento

No último dia da feira, microempreendedores transformam faturamento imediato em tentativa de estabilidade financeira diante da informalidade, do crédito restrito e das jornadas exaustivas
Por Luana Fernanda
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Quando percebeu que o último hambúrguer havia sido vendido já perto do encerramento da programação, a empreendedora Eliete da Costa Sousa sentou por alguns minutos atrás do balcão improvisado no estande da Expomei, em Augustinópolis, e chorou discretamente. Não era apenas pela venda total da produção levada para a feira. O sentimento vinha do peso financeiro e simbólico daquele resultado.

Ao longo dos dois dias de evento, Eliete vendeu cerca de 400 hambúrgueres artesanais preparados ao lado da família. Ela calculou custos, comprou insumos no limite do orçamento e decidiu arriscar uma produção maior do que a vendida em dias comuns. Ainda assim, não imaginava alcançar aquele volume de vendas.

“Eu não esperava vender tanto. A gente vem com esperança, mas nunca sabe como vai ser. Quando vi que tinha acabado tudo, senti um alívio muito grande”, afirmou.

A empreendedora também atribuiu parte da trajetória ao apoio recebido do Sebrae.

“O Sebrae é tudo na minha vida. Se não fosse pelo Sebrae, eu não estaria aqui hoje”, disse.

A fala de Eliete revela uma realidade comum entre microempreendedores de municípios do Bico do Papagaio e de outras regiões do Tocantins. São negócios de pequena escala, dependentes do fluxo diário de vendas e submetidos a margens financeiras apertadas. Em muitos casos, a renda obtida em eventos como a Expomei ajuda a equilibrar despesas acumuladas ao longo do mês.

No segundo e último dia da feira, a circulação constante de consumidores e o ritmo acelerado das vendas deram dimensão ao impacto econômico do evento. Além dos resultados comerciais registrados pelos expositores, a Expomei expôs a consolidação de um perfil de empreendedor impulsionado pelo desemprego, pela informalidade e pela necessidade urgente de geração de renda.

Enquanto grandes centros econômicos concentram investimentos e cadeias industriais, municípios do interior do Estado dependem cada vez mais da circulação de renda produzida pelos pequenos negócios. Nesse cenário, feiras como a Expomei assumem relevância econômica que ultrapassa o aspecto institucional.

O gerente do Sebrae, Edvaldo Pereira, afirma que a principal transformação observada nos últimos anos está no perfil dos participantes. Segundo ele, muitos empreendedores deixaram de enxergar a atividade somente como complemento de renda e passaram a estruturar o negócio como principal fonte de sustento familiar.

“Hoje nós encontramos empreendedores que sustentam integralmente suas casas com pequenos negócios. Isso muda completamente a relação dessas pessoas com gestão, planejamento e mercado. A feira funciona como espaço de validação do trabalho delas”, aposta.

Segundo o gestor, o desafio vai além da venda realizada durante o evento. “O empreendedor enfrenta dificuldade de crédito, pouca margem para investimento e oscilações de consumo. Quando ele consegue ampliar clientela em um ambiente como esse, existe impacto direto na estabilidade do negócio”, afirma.

Durante os dois dias de programação, a Expomei reuniu expositores dos setores de alimentação, beleza, artesanato, vestuário e serviços. Em comum, muitos carregavam trajetórias marcadas pela reinvenção profissional após períodos de desemprego ou redução de renda, especialmente após a queda da ponte JK, que liga o Tocantins ao estado do Maranhão.

O gerente ainda enfatizou que a feira também evidenciou uma dinâmica econômica silenciosa. “Milhares de trabalhadores converteram habilidades domésticas, produção artesanal e serviços informais em microempresas capazes de movimentar economias locais inteiras”.